ERASTO GURGEL BANHOS viveu intensa e alegremente de 1919 a 1991. Meus agradecimentos especiais à D. Odete (viúva) e aos filh@s Celia, Nice, Vavá e Eliton Banhos que, amorosamente, cederam material e depoimentos valiosos para o blog.
O blog é em homenagem à vida e à obra deste grande ser humano que há 20 anos foi brincar em outras paragens, à beira d'água. Viva o Palhaço Alecrim, Viva Erasto Banhos, sempre!!!

sábado, 30 de julho de 2011

Homenagem ao Mágico Chamon e ao Palhaço Alecrim no youtube

Homenagem no youtube dos Palhaços Trovadores ao Mágico Chamon e ao Palhaço Alecrim :


fonte http://www.youtube.com/watch?v=VIbGmFcdVsM

Artigo semanal de Raimundo Sodré: "Clube do Garoto"

Mas quando que mamãe deixava. Eu até que ficava na vadiagem, em julho. Ia pescar na escadinha do Ver-O-Peso, frequentava a matinê (que era à tarde) do cinema Paraíso, podia ligar a TV de tardinha para ver o Alecrim, ou ir até lá mesmo, ao vivo, no Clube do Garoto disputar ‘um quilo de bombom’, no cabo-de-guerra com a molecada do Remo...mas sair de Belém, nananina. Mamãe não deixava. Uma emendada dessas, na corda da última semana de férias, de jeito e maneira. Mamãe cortava logo. E eu, nem arreliava com isso. Não fazia por onde, também. Embora tivesse um espírito absolutamente rueiro, nunca fui mundano (e, até hoje, os escaninhos de Santa Maria de Belém do Grão Pará são o meu mundo). Por outro lado, sempre fui do trampo. Desde que me entendi por gente, corri atrás do dindim. Não tinha muito tempo mesmo para charlar por Moscou, como (diziam que) faziam muitos dos meus camaradinhas da escola. Mesmo na frouxidão das férias, alugava uma bicicleta para esmerilar lá na baixada do Areal, levava uma geladeira cheia de laranjinha (e uma ‘gilé Platinoplus’ pra cortar o plastiquinho), faturava uns Cabrales e depois descia para um mergulho proibido no igarapé do Zé, porque santinho, também não era.
A história que eu tinha pra contar das minhas férias não trazia emoções além do marco da primeira légua. E não era só eu que tinha essas restrições. Meus colegas também. Mas eles se fechavam em casa (consumiam-se com as trairagens do índio Mingo, no seriado Daniel Boone e nas pelejas do João Coragem pra conseguir um diamante deste tamanhão, na novela da Janete Clair) e não davam as caras na rua (não eram rueiros). A grande paga era na volta às aulas quando tínhamos que nos virar para escrever uma redação sobre os nossos momentos felizes em balneários bucólicos. Aí, era mais quem inventava. Eu, então, vigi, mentia muito. Contava sobre os piqueniques em Marudá, viagens para Mosqueiro no navio Presidente Vargas; banhos de igarapé na casa da tia Irá, nos meandros do Acará; Descrevia direitinho quando fui passar o dia lá no Tenoné, na casa de um tio que nunca existiu e a quantidade de gatos e bananeiras que vi no quintal da tia Ana, num passeio que fizemos, eu, mamãe e as meninas, num domingo à tarde, ‘pras bandas lá da Mucajá’ (o único episódio verdadeiro encravado na minha redação).
Tirando uma prosinha raquítica aqui, outra ali, de vera, o grosso da minha redação era tudo lorota: as minhas férias, quando garoto, foram inevitavelmente (e prazerosamente), pelas ruas de Belém.
(Estava num pé e n’outro pra falar sobre essas invencionices de menino-péssimo, na hora de escrever uma redação com o tema ‘minhas férias’, e me ocorreu falar do Clube do Garoto. Era um programa infantil apresentado pelos palhaços Alecrim e Carequinha - a dupla que acompanhei mais de perto, porque houve outra formação. E vem à memória, o meu primeiro emprego de carteira assinada como empacotador no supermercado Pão de Açúcar. Um certo Erasto Banhos fazia compras lá. E os boys, como eram chamados os moleques que arrumavam as compras nos paneiros à época, engalfinhavam-se para atender aquele Senhor Banhos. Eu ficava meio aquele para saber o motivo de tanta disputa. É que ele era o palhaço Alecrim, segredavam alguns. Arrodeávamos o homem, nos fazendo de incrédulos. Pedindo para que ele desse uma prova de que era mesmo o palhaço de nossas tardes. Até que ele impostava a voz algo anasalada e discorria no bordão “Secretãããria, traga um quilo de bombom aqui para os nossos amiguinhos”. Era. Era ele, e nós, moleques, folgávamo-nos a valer).

quinta-feira, 28 de julho de 2011

"Alecrim, o palhaço da minha infância" - Raimundo Sodré

Recebi por email e compartilho: 


caro amigo,
tava começando a escrever a minha crônica dessa semana
e como cito o clube do garoto,
fui ao Google
para saber de Alecrim, o palhaço da minha infância

dei com o teu blog
que surpresa agradável
que homenagem legal, prestas ao grande Erasto

cara, fiquei emocionado

parabéns pela iniciativa
um abraço
fique na paz

  Raimundo Sodré

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Família do Palhaço Nequinho aparece!!!



Compartilho uma ótima notícia aqui com o público fã da dupla Nequinho e Alecrim. Há alguns dias, recebi telefonema da simpática Rozangela Oliveira, filha de Manoel Angelo de Oliveira, o nosso querido Palhaço Nequinho. Rozangela achou nosso blog e ficou muito feliz de ver a pequena homenagem que fizemos a Nequinho, seu pai. 


Numa longa e emocionante conversa, Rozangela confidenciou-me várias histórias do ser humano maravilhoso que foi Nequinho, sobre seu PROGRAMA CLUBE DO GAROTO, onde atuou por 6 anos, durante os quais conheceu Alecrim, que virou seu parceiro, amigo e compadre. 


Hoje Rozangela mora em Fortaleza e a viúva de Nequinho em Salvador juntamente com um filho. Em breve, pretendo encontrá-la para quem sabe construirmos juntos um blog para o Palhaço Nequinho, socializando aqui na net todo o material que a família tem em seu poder. E assim, possamos ter mais uma justa homenagem para uma pessoa que fez tanta gente sorrir.


Jonas Banhos
jonasbanhosap@gmail.com
twitter @jonasbanhos
facebook  Jonas Banhos



Palhaço Nequinho e Alecrim no Blog Pelas Ruas de Belém

Posto aqui mais uma matéria que encontrei na internet sobre o Palhaço Alecrim e seu terno parceiro, o Palhaço Nequinho. Tá no blog  http://pelasruasdebelem.zip.net/arch2009-03-01_2009-03-31.html, publicação de 13/03/2009:




"E no Jornal Pessoal da segunda quinzena de março, que acaba de chegar às bancas, Lúcio Flávio Pinto qualifica o Pelas Ruas de Belém como um “interessantíssimo blog”. Isso para contar a história da revelação, feita neste espaço, do nome do palhaço Nequinho, talvez o primeiro palhaço de grande popularidade em Belém, fruto da penetração da TV Marajoara, nos inícios da televisão no Estado, 1961 em diante.

Depois de transcrever parte do post que trata do assunto (pode ver esse post clicando aqui) o Jornal Pessoal orienta que “quem quiser mais, vá ao blog, no qual ele (no caso, eu!) vasculha seus enormes arquivos e circula pela cidade com seu olhar de lince”. Menos, menos, eu complemento. Os arquivos, nem tão enormes, até que foram bem selecionados ao longo do tempo, e o olhar anda bem menos lincento do que eu gostaria...



No embalo do tema, reproduzo aqui ao lado uma foto dos palhaços Alecrim e Nequinho, entregando um prêmio a uma criancinha, em pleno programa “Aí vem o circo”, na TV Marajoara. Quem será ela? Publicada em A Província do Pará em setembro de 1963, no suplemento especial pelo segundo aniversário dessa emissora."


[Dalmiro Freitas] [Belém] 
Fernando, voltei a circular Pelas Ruas de Belém. Parabéns! Está excelente. Agora, me tira uma dúvida: a Tacimar Cantuária era irmã do Alecrim? Abraço, dalmiro.




20/03/2009 21:22 


RESPOSTA:
Para que todos tenham conhecimento, aqui está a resposta enviada ao Dalmiro: Segundo o Raymundo Mário Sobral, testemunha ocular da história da TV Marajoara, a Tacimar era sobrinha do Alecrim (Erasto Banhos). Está em carta que enviou ao Lúcio Flávio sobre esse palhaço - e que originou a tal minha pesquisa sobre o Nequinho. Podes ler a carta do Sobral no site do Jornal Pessoal (http://www.lucioflaviopinto.com.br/?p=573#respond) Mas tenho agora outra fonte: a dissertação de mestrado do Marton Maués, na UFBA, registra que ela era efetivamente sobrinha dele. E mais: que foi ela que o levou para a TV Marajoara - Tacimar já trabalhava em rádio desde os anos 1950 e estava na Marajoara quando a TV foi inaugurada. Isso bate certinho com a informação do Sobral. Podes ler esta dissertação em http://www.bibliotecadigital.ufba.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=1550 Pronto. Enigma desvendado.

domingo, 10 de julho de 2011

20 anos sem Erasto Banhos, o nosso Palhaço Alecrim



Viúva D. Odete e filhas Nice e Celina e eu, primo, Jonas Banhos





Hoje 10 de julho, 20 anos sem Erasto Banhos, o nosso 

Palhaço Alecrim. Nada melhor do que relembrar, em 

família as alegrias e reverenciar a memória deste 


pioneiro das artes circenses no Pará e na Amazônia. 



Viva Alecrim!!!

domingo, 16 de janeiro de 2011

2011: 20 anos da partida do Palhaço Alecrim

Em julho de 2011 fará 20 anos da partida do nosso Palhaço Alecrim. A data será lembrada em Belém, por aqueles que, como Alecrim, sempre aplaudem a vida, e que não desejam que a alegria seja derrotada pela tristeza.


Vamos celebrar a memória e a obra do Palhaço Alecrim e de seu criador, Erasto Banhos.


Participe dos preparativos, junte-se a nós!!!


Jonas Banhos
jonasbanhosap@gmail.com
(91) 8312 8015 - TIM

Tacimar Cantuária, a sobrinha que lançou o palhaço Alecrim




Abaixo transcrevo  trecho do Jornal O Estado do Pará, de Domingo, 5 de agosto de ano desconhecido, cujo título 
"O Show terminou. Com ele, o sonho de glória.", explicando o nascimento do Palhaço Alecrim, pelas mãos de sua sobrinha-artista de televisão também. Veja aí, como tudo começou para o Palhaço Alecrim:

Durante os anos de sua programação ao vivo, antes da chegada das redes nacionais, e do vídeo-tape, a TV Marajoara teve a oportunidade de experimentar - com sucesso - e provar a capacidade e o talento dos nativos ligados ao chamado "show business" - quer fossem eles cantores, comediantes, músicos ou lutadores. 
Todos tinham sua vez, a começar pela criançada, que nem podia imaginar que um dia apareceriam os incríveis homens Hulk da vida. (...) Havia também o circo, sob o comando do Alecrim, que até hoje anima festas de aniversários por aí, as brincadeiras se desenrolavam horas a fio, e ninguém parecia cansar das palhaçadas do Alecrim com seu companheiro Nequinho, hoje desaparecido, como aquela arena do lazer.
Ídolos é o que não faltava na TV Marajoara. Tanto os nacionais, .... ou ainda os ídolos locais, hoje quase esquecidos de seu público.
Um deles era o Alecrim. Ou, mais precisamente, Erasto Gurgel Banhos. Suas irmãs fizeram cartaz nos teatros de revista existentes em Nazaré, na época do Círio, e desde cedo ele se habituou ao ambiente. Ele ia levar as roupas para os artistas, e ficava por lá mesmo, nos teatrinhos. Como não havia lanchonete, Erasto ficava fazendo mandados para um e outro, e por lá também dormia. Depois foi formada a companhia de teatro de comédia de Teodomiro Cantuária, que viajou uma primeira vez pelo Brasil, voltando depois a Belém, para sair de novo numa peregrinação Brasil afora que durou 12 anos. Dessa segunda vez, Erasto foi com a companhia, percorrendo 19 Estados. Na volta, a companhia foi dissolvida, e Erasto foi para a Rádio Clube, então sob a presidência de Edgar Proença. O diretor artístico era Guiães de Barros.. 
Ali Erasto fez o "Bonde da Alegrie" e "A sorte Encontrou seu Endereço" este último com Antonino Rocha, diretor do programa. Aos poucos a Rádio Clube foi terminando sua programação ao vivo, e se frimava a Rádio Marajoara, para a qual foi convidado por Sebastião Emilio. Mais tarde, já funcionando, a TV Marajoara, veio o inesperado convite para ser palhaço. Erasto era então conhecido por Banhos - inclusive participara da dupla humorística Banhos e Cantuária na PRC-5.
Na TV Marajoara, já existia o programa "Aí vem o Circo", apresentado por Nequinho e Pimpão, sob as ordens de Raimundo Mário Sobral. Pimpão teve que viajar , e não havia ninguém para substituí-lo, já que Péricles Leal insistia em que deveriam ser dois palhaços no programa. O Armando Pinho não podia ficar com esse trabalho, e o Tácito Cantuária não aceitou porque "gostava de fazer graça de cara limpa", como diz o Alecrim. Até que a Tacimar indicou o Banhos, que relutantemente, a princípio aceitou o convite e as responsabilidades - até hoje ele não fume nem bebe, porque não fica bem, ele trabalhando com criança. "Sabe como é, tenho que abraçar as crianças, não posso fazer isso com cheiro de cigarro e bebida", explica.





Da tese de mestrado de Marton Maués, do Grupo de Palhaços Trovadores de Belém do Pará (http://www.bibliotecadigital.ufba.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=1550) extraio o seguinte trecho:




"Erasto Gurgel Banhos, o palhaço Alecrim, de Belém do Pará iniciou sua carreira em 1962, por intermédio da sobrinha, Tacimar Cantuária, que o convidou para atuar como palhaço na TV Marajoara, recém inaugurada. O nome Alecrim da Beira do Rio é uma homenagem à mãe e refere-se ao bairro em que a família morava, na cidade de Natal (RN). Antes de entrar para a televisão, foi ator de comédias, viajando com a companhia de sua família por várias cidades brasileiras. Trabalhou também no rádio, fazendo programas humorísticos: "Bonde da Alegria" e "A Sorte Encontrou seu Endereço" na Rádio Clube do Pará. Em um desses programas, "Os Apuros de um Velhote", atuou ao lado de Iracema Oliveira, conhecida personagem do rádio e das tradições populares paraenses, ainda em atividade." 


Erasto Banhos e o Palácio dos Bares na Condor

foto : http://zecarlosdopv.blogspot.com/2009/02/bar-da-condor.html
Erasto Banhos foi apresentador oficial no Palácio dos Bares, no bairro da Condor, em Belém do Pará. Trabalhou por lá até conseguir viver apenas daquilo que ele mais gostava na vida: alegrar crianças, como o Palhaço Alecrim.  


Abaixo, trechos extraídos de jornais (não identificados) da época do falecimento de Alecrim, relembrando um pouco sobre sua atuação na Condor:



Morre Erasto Gurgel Banhos, o palhaço Alecrim

O sucesso alcançado nos programas, novelas e shows na TV Marajoara era compartilhado pela atuação de "Alecrim" como apresentador oficial no Palácio dos Bares, onde, no meio dos amigos e admiradores, ele comandava a animação. Também no Palácio dos Bares as qualidades profissionais e humanas de "Alecrim" o credenciaram para a empatia que teve no bairro da Condor, principal reduto da boemia belemense na década de 60.




"Alecrim" está morto
Erasto, durante muito tempo, era década de 60, animava as noites do Palácio dos Bares, quando a casa estava no auge. Popular entre os boêmios, representava papel bem diferente daquele que encarnava como "Alecrim", personagem inteiramente dedicado às crianças.




Também publico aqui a citação feita no blog do jornalista Lucio Flavio Pinto, disponível em http://www.lucioflaviopinto.com.br/?p=557:



Correção

Palhaços invertidos. Erastos Banhos era o Arlequim insosso da dupla, que só pegava tempero à noite, quando animava os bailes nada inocentes do Palácio dos Bares, boate-Condor. Saudava os personagens que se encontrava amesendados na casa, inclusive o presidente da UECSP, que, fora dos limites da república da pândega, era caçado pelas autoridades da segurança pública do novo regime militar. Citado, o subversivo se levantava e cumprimentava todos os presentes, recebendo uma salva de palmas. Ali dentro, não - ou ainda não, antes que as últimas luzes fossem apagadas no fim do túnel comprido. Era espetáculo circense avant-la-lèttre. Já no circo da TV Marajoara, quem fazia rir era o Nequinho. Mas só as crianças, é claro.
LFP @ dezembro 15, 2008

sábado, 15 de janeiro de 2011

Palhaço Alecrim, um recordista brasileiro em apresentações na TV



Do Caderno Troppo, Revista de Domingo do jornal paraense O Liberal, de 19 de janeiro de 1997, extraio o seguinte trecho da reportagem "A hora e a vez da criançada":

Banhos escolheu um nome, Alecrim, em homenagem a mãe, do Rio Grande do Norte, que morava num bairro de mesmo nome. Ele e Nequinho faziam apenas um ensaio quando Mario Sobral os viu juntos. "Sabia que uma nova dupla havia nascido."


Seis anos e  muito sucesso depois, Nequinho morria de meningite. Foi assim que Alecrim passou a trabalhar com Carequinha e, com ele, obteve o recorde mundial de 2 mil apresentações para crianças, todas na mesma emissora de TV.

Palhaço Alecrim nos Jornais





















Palhaço Alecrim e as "celebridades" da época

Palhaço Alecrim e Miss Pará



Erasto Banhos, um eterno brincalhão


Erasto Banhos, o Palhaço Alecrim, vivenciava alegria 24 horas, em qualquer lugar. Sempre estava brincando, fazendo piada da vida real. Aí nesta foto, ele brinca com seu neto à beira d'água, do seu jeitinho palhaço de ser.... só alegria, paz e muito amor!!!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Palhaço Alecrim e sua contribuição para o imaginário da cultura popular amazônica

Folia em São Caetano de Odivelas


Silvia Sueli Santos da Silva, do IFPA, apresentou no VI Colóquio Internacional de Etnocenologia , o artigo  O Pierrô e a máscara:  a espetacularidade do corpo cômico no Boi de São Caetano de Odivelas, onde descreve o Pierrô, personagem mascarado da brincadeira de boi da cidade de São Caetano de Odivelas e as interfaces desse com os múltiplos corpos cômicos que  ele traz em sua espetacularidade, do palhaço ao performer de rua. 
Na página 451 ela fala da influência que tiveram as caravanas de circos que transitaram pelo interior do Pará e os programas de auditório apresentados pelos palhaços Alecrim e Nequiho. Confira aí:
  
"O vestuário do personagem odivelense é composto por um largo macacão de 
cetim, todo costurado com listas verticais em cores alternadas, lembrando as vestes dos 
palhaços".  A leveza do tecido torna os gestos mais livres dentro da roupa, permitindo .
maior amplitude de expressão aos braços e às pernas, de modo que isto é manifesto nos 
passos básicos da coreografia repetida pelos pierrôs.

" A figura do palhaço que povoa o imaginário amazônico desde o começo do século XX 
apresenta como contribuição matricial as caravanas  de circos que transitavam pelo interior 
paraense e que se popularizaram na década de 60 com os palhaços dos programas de auditório, dentre os quais foi notável o personagem de Erasto Banhos, o “Alecrim da Beira do Rio”. Ele foi o primeiro palhaço a fazer sucesso na televisão paraense. Consagrou-se com seu programa de auditório “Clube do Garoto”, ao lado de seu companheiro “Nequinho”, com quem formava a dupla de clowns: o branco (Alecrim) e o augusto (Nequinho). 

Palhaço Alecrim homenageado pelo Rotary Club de Belém - Nazaré



Palhaço Alecrim e seus parceiros da alegria


Palhaço Alecrim


Palhaço Alecrim e Palhaço Nequinho

Palhaço Alecrim e Mágico Shamon

Emília e Palhaço Alecrim

Palhaço Carequinha e Palhaço Alecrim

Palhaço Alecrim e Palhaço Carequinha

Abaixo transcrevo  trecho do Jornal O Estado do Pará, de Domingo, 5 de agosto de ano desconhecido, com o título "O Show terminou. Com ele, o sonho de glória.":

Antes de começar a trabalhar, em outubro de 61, ele (Alecrim) assistiu dois programas, para ver a dupla que atuava, e que "não estava lá muito bem; o Nequinho era um palhaço que viajava em circo, mas não era especialista em trabalhar com com crianças". Diz Alecrim que a dupla para ser engraçada tem que ter um elemento que prepare a brincadeira, e outro que de o desfecho. Essa sua opinião lhe valeu de Nequinho a indicação para dirigir o trabalho da nova dupla: "- Já vi que tu entendes disso; tu passas a comandar. Quem dá o desfecho é o engraçado, e eu sou engraçado; então tu preparas, e eu dou o desfecho".

Combinado isso, veio a questão do nome. Banhos pediu para fazer uma homenagem a sua mãe, que é do Rio Grande do Norte, e morava então no bairro do Alecrim. Tudo certo. 

A morte de seu companheiro determinou uma mudança no programa. Em vez de fazer brincadeiras para as crianças, Alecrim resolveu fazer brincadeiras com elas. E vieram outros programas: "Vesperal Alegre", "Clube do Garoto" e "Alecrim ao Vivo", antes de começar a trabalhar com o "Carequinha", "que era motorista no Basa". Aí apareceu o "Sítio do Picapau Amarelo" e a boneca Emília, personagem assimilado a seu programa, depois que encontrou, num aniversário, uma garota vestida na pele dessa personagem.


Palhaço Alecrim, nas minhas primeiras impressões


Palhaço Alecrim ou Erasto Gurgel Banhos, ambos foram a face da mesma moeda. Um nasceu em 1919, o outro em 1962. Ambos nos deixaram em 1991. Todos dois eram muito alegres, espiritualizados, solidários, místicos e tinham um profundo amor pelas pessoas, sobretudo pelas nossas crianças.

Erasto Gurgel Banhos e Palhaço Alecrim marcaram, alegremente, a vida de muita gente em Belém, nos bairros ricos e na periferia, na capital e  no nterior do Estado do Pará,  e até lá pelas bandas do nordeste, do sudeste, do centro oeste, do sul, enfim, do Oiapoque ao Chuí.

Palhaço Alecrim e Erasto Gurgel Banhos vivem, entre nós, amantes da esperança de um mundo melhor, mais humano, mais alegre e solidário!!!

Viva Alecrim, o palhaço da beira d'água!!! Viva Erasto Banhos, seu idealizador!!!

De seu sobrinho,
Jonas Banhos
com fé e alegria!!!


Erasto Banhos, antes de ser o Palhaço Alecrim

D. Odete(viúva), Bené(sobrinho) e amiga,  na Barraca dos Artistas, no Círio de Nazaré



Trechos do artigo de jornal Alecrim  da beira d'água, de Heraldo Montarroyos, publicado no Jornal O Liberal, Carderno Dois, de 12 de julho de 1990:

"Era uma vez uma família grande, de reconhecido prestígio artístico. Em tempos de Círio, ia para o Arraial participar dos "Teatrinhos de Nazaré". O menino Erasto, como os outros irmãos, ajudava no que podia: levava as roupas dos artistas para a Praça dos espetáculos; comprava  algumas vezes, os cigarros que seu pai pedia nos momentos de pré-estreia. Pelas ruas, nas altas horas da madrugada, carregava um imenso saco contendo as vestimentas, ainda suadas, dos atores. A disposição sempre era admirada pelos parentes.

Nascia um teatro mambembe, o da Companhia de Artes Cantuária. Como jovem, não hesitou em se tornar um galã, cantor de samba de breque ou samba de chapéu de palha. As viagens foram, por isto, mais e mais e mais crescentes. Entre os anos de 36 a 54, a sua presença e voz deixariam deliciosas recordações em Manaus, Maranhão, interior do Nordeste. O Serviço Nacional de Teatro patrocinava, por sorte todas as apresentações.

"Nesse período que viajei têm muitas paradas interessantes que me fazem ainda rir bastante." O show começava lá pelas 8 da noite. Dramas, comédias variadas com caipiras; o teatro mambembe, assim, deixava marcas inesquecíveis em terras distantes. "Me recordo uma vez que uma artista estava vestida como Santa, Santa Terezinha se não me falha a memória. Estava nos altos sustentada por uma enorme escada. O povo de Campina Grande que assistia a nossa apresentação ria pelos cotovelos, jogava-se flores para cima com fé e graça. Mas, o mais engraçado vinha depois. O prefeito entrava no pequeno palco para nos cumprimentar. Inesperadamente, a escada começou a cair, caía, caía. O prefeito, então não teve outra senão segurar com desespero a escada, evitando algo menos alegre. O cumprimento da autoridade virava, sim, uma parte preciosa do sucesso que fizemos neste show". Santa Terezinha ria com os nervos à flor da pele.

"Quando voltamos pra Belém, em 54, ocorria o Círio de Nazaré, e a Companhia na qual eu sempre participei, partia para uma temporada no interior do Pará."

Palhaço Alecrim e Palhaço Nequinho, uma amorosa e eterna parceria

Palhaço Nequinho e Palhaço Alecrim

Transcrevo abaixo trechos do artigo de jornal (não identificado) intitulado "Morre Erasto Banhos, o palhaço Alecrim" :

"Foi ao lado do fiel companheiro "Nequinho", falecido há alguns anos, que "Alecrim", ampliou sua empatia para com o público mirim e adulto. "Alecrim" também participou de telenovelas ao vivo, e por sua atuação em "O Velho" foi premiado como ator. (...)Um duro golpe para o animador foi a morte de "Nequinho", terminando uma amizade de longos anos, oficializada no  "Clube do Garoto". Alecrim e Nequinho eram tão unidos profissional e pessoalmente que Erasto Gurgel Banhos preferiu continuar atuando sozinho a contar com um novo companheiro. "



Abaixo transcrevo  trecho do Jornal O Estado do Pará, de Domingo, 5 de agosto de ano desconhecido, com o título "O Show terminou. Com ele, o sonho de glória.":

Na TV Marajoara, já existia o programa "Aí vem o Circo", apresentado por Nequinho e Pimpão, sob as ordens de Raimundo Mário Sobral. Pimpão teve que viajar , e não havia ninguém para substituí-lo, já que Péricles Leal insistia em que deveriam ser dois palhaços no programa. O Armando Pinho não podia ficar com esse trabalho, e o Tácito Cantuária não aceitou porque "gostava de fazer graça de cara limpa", como diz o Alecrim. Até que a Tacimar indicou o Banhos, que relutantemente, a princípio aceitou o convite e as responsabilidades - até hoje ele não fume nem bebe, porque não fica bem, ele trabalhando com criança. "Sabe como é, tenho que abraçar as crianças, não posso fazer isso com cheiro de cigarro e bebida", explica.

Antes de começar a trabalhar, em outubro de 61, ele assistiu dois programas, para ver a dupla que atuava, e que "não estava lá muito bem; o Nequinho era um palhaço que viajava em circo, mas não era especialista em trabalhar com com crianças". Diz Alecrim que a dupla para ser engraçada tem que ter um elemento que prepare a brincadeira, e outro que de o desfecho. Essa sua opinião lhe valeu de Nequinho a indicação para dirigir o trabalho da nova dupla: "- Já vi que tu entendes disso; tu passas a comandar. Quem dá o desfecho é o engraçado, e eu sou engraçado; então tu preparas, e eu dou o desfecho".

Combinado isso, veio a questão do nome. Banhos pediu para fazer uma homenagem a sua mãe, ue é do Rio Grande do Norte, e morava então no bairro do Alecrim. Tudo certo. Quando Mário Sobral voltou, viu que uma nova dupla já tinha nascido, pela conversa dos dois - houve só um ensaio à tarde, para o programa apresentado à noite. Também foi o primeiro e único ensaio de Nequinho e Alecrim; depois disso, nunca mais ensaiaram, faziam o programa direto.
E assim se passaram 6 anos, trabalhando juntos, os dois, "Nequinho nunca teve nada; fomos duas vezes à Bahia, fazer a Semana da Criança, na TV Itapoã, nos apresentamos na Tupi do Rio e na Tamandaré,d e Recife; ele era magrinho, atleta. Um dia ele adoeceu, e cinco dias depois morria, de meningite", conta Alecrim.

A morte de seu companheiro determinou uma mudança no programa. Em vez de fazer brincadeiras para as crianças, Alecrim resolveu fazer brincadeiras com elas. E vieram outros programas: "Vesperal Alegre", "Clube do Garoto" e "Alecrim ao Vivo", antes de começar a trabalhar com o "Carequinha", "que era motorista no Basa". Aí apareceu o "Sítio do Picapau Amarelo" e a boneca Emília, personagem assimilado a seu programa, depois que encontrou, num aniversário, uma garota vestida na pele dessa personagem.



Do Caderno Troppo, Revista de Domingo do jornal paraense O Liberal, de 19 de janeiro de 1997, extraio o seguinte trecho da reportagem "A hora e a vez da criançada":

Sob as ordens de Raimundo Mario Sobral, o programa "Aí vem o Circo" era apresentado pelos palhaços Nequinho e Pimpão. Pimpão teve de viajar e não havia ninguém para substituí-lo e Péricles Leal insistia que deveriam ser dois palhaços no programa. Armando Pinho não podia ficar com o trabalho e Teodomiro Cantuária (pai de Tacimar), dono de uma companhia de teatro, não aceitou porque "gostava de fazer graça de cara limpa". Foi Tacimar quem indicou Erasto Gurgel Banhos para o lugar de Pimpão que, inicialmente relutante, aceitou a tarefa.


Banhos escolheu um nome, Alecrim, em homenagem a mãe, do Rio Grande do Norte, que morava num bairro de mesmo nome. Ele e Nequinho faziam apenas um ensaio quando Mario Sobral os viu juntos. "Sabia que uma nova dupla havia nascido."

Seis anos e muito sucesso depois, Nequinho morria de meningite. Foi assim que Alecrim passou a trabalhar com Carequinha e, com ele, obteve o recorde mundial de 2 mil apresentações para crianças, todas na mesma emissora de TV.

Palhaço Alecrim e Palhaça Alfazema


Palhaço Alecrim sempre atuava acompanhado de seus ajudantes, que o complementavam na nobre missão de alegrar crianças e adultos com alma de criança. Sempre convidava mágicos, Emílias, Cantadores, e palhaços.

Aí na foto acima, ele está acompanhado da Palhaça Alfazema, que era nada mais nada menos que sua própria filha, a Nice, que foi "convocada" a atuar com Alecrim em razão da ausência temporária, por motivo de doença, do Palhaço Carequinha. E, como o show não podia e nem pode parar, a Palhaça Alfazema atuou em dois espetáculos, até a recuperação de Carequinha. 

Depois dessa atuação, Nice recolheu a Palhaça Alfazema, mas continuou usando as técnicas apreendidas de seu pai com seus alunos de escolas públicas, o que muito contribuiu para alfabetização de centenas de  crianças. A doce e alegre Nice hoje está aposentada, cuidando de sua mãe (D. Odete) com 93 anos, é torcedora fanática do papão da Curuzu e é conhecida pelas ruas do Jurunas, em Belém do Pará, como Alecrim.

D. Odete, ladeada pelas filhas Celia e Nice (mão para cima)


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Palhaço Alecrim e Trupe animando o aniversário da Reurea Santos








Estas fotos foram gentilmente enviadas pelo meu amigo Rubens Stanislau, que é um dos integrantes do grupo Arraial do Pavulagem de Belém do Pará. Abaixo o texto explicativo:


Estas fotos foram feitas em 1986 por ocasiao do aniversário de 5 anos de minha irmã Reurea Santos das Neves. Ela aparece em todas as fotos, ao lado de meu pai Benedito Estanislau e minha Mãe Maria. Alecrim aparece com uma ajudante trajada de Emilia e a outra que está de vestido vermelho é uma ajudante que imitava a Grethen, Konga la konga!!!!

sábado, 8 de janeiro de 2011

O Palhaço Alecrim por um Palhaço Trovador

"Erasto Gurgel Banhos, o palhaço Alecrim, de Belém do Pará iniciou sua carreira em 1962, por intermédio da sobrinha, Tacimar Cantuária, que o convidou para atuar como palhaço na TV Marajoara, recém inaugurada. O nome Alecrim da Beira do Rio é uma homenagem à mãe e refere-se ao bairro em que a família morava, na cidade de Natal (RN). Antes de entrar para a televisão, foi ator de comédias, viajando com a companhia de sua família por várias cidades brasileiras. Trabalhou também no rádio, fazendo programas humorísticos: "Bonde da Alegria" e "A Sorte Encontrou seu Endereço" na Rádio Clube do Pará. Em um desses programas, "Os Apuros de um Velhote", atuou ao lado de Iracema Oliveira, conhecida personagem do rádio e das tradições populares paraenses, ainda em atividade."  Marton Maués

Para saber mais acesse a tese de mestrado de Marton Maués, do Grupo de Palhaços Trovadores de Belém do Pará em http://www.bibliotecadigital.ufba.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=1550.

Resgatando a história e a memória do Palhaço Alecrim




Resgatando um pouco da memória de minha família, resolvi pesquisar sobre meu tio Erasto Banhos, que foi um palhaço em Belém, o Palhaço Alecrim. Alegrava crianças e adultos, em festas, programas de rádio e TV. Não tive oportunidade de conviver com meu tio-palhaço, mas ouvi várias histórias lindas a seu respeito. E como comecei a adentrar o mundo mágico circense, como o Palhaço Ribeirinho, inicio meu mergulho em busca de minhas raízes mais profundas.
Aqui neste blog compartilharei todo o material que encontrar a respeito do Palhaço Alecrim, citando a fonte e contribuindo para tod@s aqueles que quiserem conhecer ou pesquisar sobre a vida deste Palhaço que tanto contribuiu para a educação e a alegria de crianças amazônidas, da década de 60 até o início dos anos 90.
Respeitável público, com vocês o grande Palhaço das águas, da beira do rio, Alecrim!!!
Abraços fraternos,
Jonas Banhos
jonasbanhosap@gmail.com (envie suas contribuições e deixe seus comentários aqui no blog)