ERASTO GURGEL BANHOS viveu intensa e alegremente de 1919 a 1991. Meus agradecimentos especiais à D. Odete (viúva) e aos filh@s Celia, Nice, Vavá e Eliton Banhos que, amorosamente, cederam material e depoimentos valiosos para o blog.
O blog é em homenagem à vida e à obra deste grande ser humano que há 20 anos foi brincar em outras paragens, à beira d'água. Viva o Palhaço Alecrim, Viva Erasto Banhos, sempre!!!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Palhaço Alecrim e Palhaço Nequinho, uma amorosa e eterna parceria

Palhaço Nequinho e Palhaço Alecrim

Transcrevo abaixo trechos do artigo de jornal (não identificado) intitulado "Morre Erasto Banhos, o palhaço Alecrim" :

"Foi ao lado do fiel companheiro "Nequinho", falecido há alguns anos, que "Alecrim", ampliou sua empatia para com o público mirim e adulto. "Alecrim" também participou de telenovelas ao vivo, e por sua atuação em "O Velho" foi premiado como ator. (...)Um duro golpe para o animador foi a morte de "Nequinho", terminando uma amizade de longos anos, oficializada no  "Clube do Garoto". Alecrim e Nequinho eram tão unidos profissional e pessoalmente que Erasto Gurgel Banhos preferiu continuar atuando sozinho a contar com um novo companheiro. "



Abaixo transcrevo  trecho do Jornal O Estado do Pará, de Domingo, 5 de agosto de ano desconhecido, com o título "O Show terminou. Com ele, o sonho de glória.":

Na TV Marajoara, já existia o programa "Aí vem o Circo", apresentado por Nequinho e Pimpão, sob as ordens de Raimundo Mário Sobral. Pimpão teve que viajar , e não havia ninguém para substituí-lo, já que Péricles Leal insistia em que deveriam ser dois palhaços no programa. O Armando Pinho não podia ficar com esse trabalho, e o Tácito Cantuária não aceitou porque "gostava de fazer graça de cara limpa", como diz o Alecrim. Até que a Tacimar indicou o Banhos, que relutantemente, a princípio aceitou o convite e as responsabilidades - até hoje ele não fume nem bebe, porque não fica bem, ele trabalhando com criança. "Sabe como é, tenho que abraçar as crianças, não posso fazer isso com cheiro de cigarro e bebida", explica.

Antes de começar a trabalhar, em outubro de 61, ele assistiu dois programas, para ver a dupla que atuava, e que "não estava lá muito bem; o Nequinho era um palhaço que viajava em circo, mas não era especialista em trabalhar com com crianças". Diz Alecrim que a dupla para ser engraçada tem que ter um elemento que prepare a brincadeira, e outro que de o desfecho. Essa sua opinião lhe valeu de Nequinho a indicação para dirigir o trabalho da nova dupla: "- Já vi que tu entendes disso; tu passas a comandar. Quem dá o desfecho é o engraçado, e eu sou engraçado; então tu preparas, e eu dou o desfecho".

Combinado isso, veio a questão do nome. Banhos pediu para fazer uma homenagem a sua mãe, ue é do Rio Grande do Norte, e morava então no bairro do Alecrim. Tudo certo. Quando Mário Sobral voltou, viu que uma nova dupla já tinha nascido, pela conversa dos dois - houve só um ensaio à tarde, para o programa apresentado à noite. Também foi o primeiro e único ensaio de Nequinho e Alecrim; depois disso, nunca mais ensaiaram, faziam o programa direto.
E assim se passaram 6 anos, trabalhando juntos, os dois, "Nequinho nunca teve nada; fomos duas vezes à Bahia, fazer a Semana da Criança, na TV Itapoã, nos apresentamos na Tupi do Rio e na Tamandaré,d e Recife; ele era magrinho, atleta. Um dia ele adoeceu, e cinco dias depois morria, de meningite", conta Alecrim.

A morte de seu companheiro determinou uma mudança no programa. Em vez de fazer brincadeiras para as crianças, Alecrim resolveu fazer brincadeiras com elas. E vieram outros programas: "Vesperal Alegre", "Clube do Garoto" e "Alecrim ao Vivo", antes de começar a trabalhar com o "Carequinha", "que era motorista no Basa". Aí apareceu o "Sítio do Picapau Amarelo" e a boneca Emília, personagem assimilado a seu programa, depois que encontrou, num aniversário, uma garota vestida na pele dessa personagem.



Do Caderno Troppo, Revista de Domingo do jornal paraense O Liberal, de 19 de janeiro de 1997, extraio o seguinte trecho da reportagem "A hora e a vez da criançada":

Sob as ordens de Raimundo Mario Sobral, o programa "Aí vem o Circo" era apresentado pelos palhaços Nequinho e Pimpão. Pimpão teve de viajar e não havia ninguém para substituí-lo e Péricles Leal insistia que deveriam ser dois palhaços no programa. Armando Pinho não podia ficar com o trabalho e Teodomiro Cantuária (pai de Tacimar), dono de uma companhia de teatro, não aceitou porque "gostava de fazer graça de cara limpa". Foi Tacimar quem indicou Erasto Gurgel Banhos para o lugar de Pimpão que, inicialmente relutante, aceitou a tarefa.


Banhos escolheu um nome, Alecrim, em homenagem a mãe, do Rio Grande do Norte, que morava num bairro de mesmo nome. Ele e Nequinho faziam apenas um ensaio quando Mario Sobral os viu juntos. "Sabia que uma nova dupla havia nascido."

Seis anos e muito sucesso depois, Nequinho morria de meningite. Foi assim que Alecrim passou a trabalhar com Carequinha e, com ele, obteve o recorde mundial de 2 mil apresentações para crianças, todas na mesma emissora de TV.

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